segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Sonhos

As palavras,
cruzam a linha imaginária do tempo,
atravessam dimensões
e vão desaguando uma a uma
seu cabedal de ilusões.
Impregnadas de impressões, re
torcidas diante do peso
enfileiram-se lado a lado
para enfrentar seu mentor.
E dizem recados inteiros
de vida, de morte e de amor.
(Marcia Araujo).

terça-feira, 17 de julho de 2012

A noite fria

Asa ao vento
gorjeava o pássaro 
um lamento.

A noite gelada caía
roubando-lhe a alegria.

A luz do farol distante
sobre a pedra fria
um pescador refletia.

A lua mirando o espelho
de nada se apercebia.

Iemanjá encantada
conforme reza a lenda
aguardava a oferenda.
(Marcia Araujo)

sábado, 14 de julho de 2012

Sina

Carregado de sentimentos
acordou dormente
era ainda quente
o sonho do poeta
urgente.

Encolheu a mente
para espreguiçar o corpo
e não perder de novo
outro verso morno.

Esticou os braços
para alcançar o espaço
e deter o tempo
fascinante intento.

Um cheiro de café quente
inundara o ambiente
escaldando o dia
que já amanhecia.

E no jardim das idéias
adormecera o poeta 
sem se entregar a rotina
que lhe roubara a sina.
(Marcia Araujo)

Andrajo

Caminha sem salto
despida da alma
a identidade
cega e sem luz.

De um confronto cruel
entre as necessidades
nasceu de choque
a revel.

Não se sabe se forjada
ou se forjando a si.

Sabe-se somente que
constituiu-se pedaços
que agora se descolam
se descolando de si.

Em meio a romaria
que se lhe passa indiferente
um desapego arrefecido.

O grito que soa
da boca do louco
ecoa no seu coração.

Será dele a voz
vacilante
ou  um capricho
da multidão?
(Marcia Araujo)

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Minha filha

Ecoa um sorriso
dentro de mim
que mexe comigo

Veio de fora
e me penetrou

Trouxe alegria
sentido de vida
família.

Revivi um momento
do ninho.

De dentro do quarto
ria
minha filha.
(Marcia Araujo)

Vã filosofia

Desfiz o mundo trilhado
refiz meu traço mutilado.

Incompleto de alma
segui na intuição.

Postulei em juízo
e dele abdiquei.

Criei asas e não voei
centenas de vezes capotei.

Roubei da sorte
minha autoria.

Fe-li-ci-da-de,
vã filosofia.
(Marcia Araujo)

terça-feira, 5 de junho de 2012

Silêncio

Um silencioso diálogo
descreve a pena no papel.

As árvores se curvam
mal agradecidas
por suas cabeleiras penduradas.

Um vento quente entra pela janela
embaralhando o juízo.

Nauseado pelo esforço
sem gozo o lápis gira
sem dizer nada ao papel.

Hoje não é dia...
o pensamento dorme.
(Marcia Araujo)