domingo, 8 de abril de 2012

Dor

A vida sem explicação se deteriora,
devagar se vai embora.
Celebrar o quê
sem entender.

A gente é pequeno,
tão pequeno
que não alcança.

Dói na alma
perder o convívio.
A gente respira
sem alívio.

É tão mais fácil
estar junto
segurar na mão.

Se doar e receber,
trocar, dar,
comungar, conviver.

E quando perde
o que fazer.
Se resignar,
aceitar.

Chorar sem fim
até parar.
Meditar.

Tentar contemplar
a vida perene.
Compreender
essa luta,

de gente.

Escrevi isso para Mequinha que cada dia vai embora um pouquinho. Mulher de fases, de luta, de erros e acertos, humana como todos nós. Vive com força cada segundo do tempo que lhe resta, luta contra sua natureza humana, reage, se impõe. É mais uma de quem aos poucos o fim do ciclo se aproxima. Que toda boa energia a acompanhe na próxima jornada, que seus irmãos de convívio que pela sua vida já passaram a recebam de braços abertos para oferecer-lhe descanso e amor. Que suas dúvidas humanas sejam perdoadas, suas investidas pesadas. Que o amor que dispensou nessa vida tenha maior força que toda força contrária que a nós se apresenta nessa jornada. Que a força agregadora de nossa alma esteja presente por toda a eternidade em sua companhia. Se há outra vida que seu parto seja só alegria. Nós ficaremos por aqui  tia América, saudosos.
(Marcia Araujo).




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